quarta-feira, 30 de maio de 2018

DOMESTICAÇÃO DOS GATOS



Como sou amante de animais e sei que muitas pessoas também e pelo fato de já ter tido contato com os felinos domésticos e amar os felinos selvagens, decidi pesquisar um pouco sobre a domesticação de alguns animais na História e decidi trazer um pouco para o blog em caráter de curiosidade para quem não conhece.

Gato Selvagem Africano
Foto:Internet
Sabemos que no início de tudo homem caçava e colhia para ter os alimentos para seu sustento, a vida toda os seres humanos foram e são dependentes da natureza e mantém uma relação com ela, infelizmente muitos não amigáveis. Mas, conforme com o início da agricultura começaram aparecer aqueles animais que destruíam as plantações, como os roedores.

Os gatos estavam entre os animais que eram utilizados como alimentos para o homem, porém este começou a perceber que esses felinos eram astuciosos e ágeis e sua captura e morte era muito difíceis para os humanos. Além, dessas caraterísticas, verificou-se que esses animais possuíam muita força e estavam entre os melhores caçadores. Logo para combater as pragas que assolavam as plantações, o homem tentou domesticar o chamado “gato Selvagem”, porém não teve sucesso.
Mau Egipty (Mau = Gato;Egipty = Egipcício)
Foto  internet


É bem provável que quando as fêmeas davam a luz, os humanos começaram a levar os filhotes para suas casas e tentavam uma convivência com eles e paulatinamente esses animais começaram a se acostumar com a presença dos seres humanos e por sua vez estes aproveitaram-se se suas habilidades de caças para manter os roedores longe de seu estoque de comida.

Acredita-se que por volta do ano 3.000 a. C, no Egito que esses felinos começaram a ser domesticados e esses animais da região apresentavam uma pelagem rajada e eram parecidos com que são conhecidos hoje com os gato selvagem africano.
Gato Tigrado
Nos primórdios, essa domesticação só tinha a intenção econômica, mas com o pass
ar do tempo os gatos foram conquistando o carinho humano criando um laço afetuoso entre ambos. Quando já estavam totalmente domesticados (1.600 a.C), segundo alguns pesquisadores, no Egito quando ocorreu um princípio de incêndio em uma propriedade esses animais eram os primeiros a seres resgados pelo seu dono. (Os gatos no Egito eram sagrados).

Com esse pequeno texto, quis trazer um pouco da história desses felinos que convivem até hoje em nossas residência e apesar de serem mais independentes que os cães, sim eles conseguem ser afetuosos com os seus donos. Homem sempre manteve e sempre manterá uma relação com a natureza, pois fazemos parte de uma mesmo ecossistema criados por uma mesma Inteligência que é conhecida como Deus. Por isso, é importante que nossa relação com o meio ambiente e com os seres que o habitam seja de bastante respeito e admiração, mesmo os animais domésticos, é necessários que tenhamos a consciência de que são seres que tem um instinto e uma natureza e que devem ser respeitados.

sábado, 26 de maio de 2018

A GÊNESE DO SAMBA


A música é uma importante fonte histórica, pois quando estudamos a história que envolve uma composição, um ritmo, um artista, podemos traçar aspectos da sociedade em que nasceu. Por conta disso, nesse texto trago um pouco da história do samba, esse ritmo que se tornou uma característica de nossa sociedade brasileira. Para início de conversa, vamos falar um pouco sobre a gênese desse ritmo.

No Brasil, no final do século XIX as cidades já tinham ideia abolicionistas, porém nos campos era diferente, pois ainda dependiam do trabalho escravo. Com a “fronteira do café” vindo para o Vale do Parnaíba os escravos nordestinos (de maioria baiana) foram trazidos para o sul da Província do Rio de Janeiro, e estes se instalaram na zona portuária no ano de 1870.  A cidade ficou conhecida como a “Pequena África”, pois foi o local de encontro entre as duas culturas de escravos urbanos e rurais.

Observamos que toda zona portuária de um país é um local onde se concentra a malandragem, desempregados, segregados e casa de tolerância. Por tanto temos três fatores para o rápido crescimento da população carioca. 1) negros vindos do Nordeste por causa do fracasso de lá; 2) Guerra do Paraguai onde era prometido terras e liberdade a quem ingressasse; 3) A chegada dos imigrantes para “embranquecer” o país.


Representação do Maxixe
Foto : Internet
Esses negros que chegaram no Rio começaram a liderar o calendário festivo (cordões carnavalescos e festas religiosas entre outros). Em especial os negros baianos trouxeram o “maxixe” que era restrito à zona portuária por ser considerado proibido para menores de idade. Nesse momento era uma dança onde eram tocados os ritmos polka, tango brasileiro e Habanera.

Após a criação da Lei Áurea havia  desemprego entre os os negros e isso era uma questão muito agravante. Uma alternativa de trabalho encontrada por eles foi a execução dos maxixes nos cabarés, já que a cidadania era negada através da negação do emprego.  Na parte do urbana do Rio era tocado o maxixe, já no subúrbio e partes rurais era tocado o "Partido Alto".

Até o século XX o Brasil era multicultural e seccionado. Aos poucos a dança maxixe começou a modificar a música e junto a isso surgiu uma contestação sobre se havia ou não o estilo maxixe. Pois era uma manifestação urbana aonde se tocava polka com habanera e mais uma mistura regional. Porém, nos primeiros anos do século XX começou a ser cantado recebendo o nome de samba. Mas, como surgiu esse nome samba?

O samba não existiria se antes não tivessem existido o maxixe, o lundú e as múltiplas formas de samba folclórico, praticadas nas rodas de batuque. O compositor e historiador Nei Lopes no ensaio “Uma breve história do Samba” diz: “O vocábulo samba é africaníssimo. ‘Samba’ entre os quiocos (chokwe) de Angola, é verbo que significa ‘cabriolar brincar, divertir-se como cabrito’. Entre os bacongos, angolanos e congueses o termo designa ‘uma espécie de dança em que um dançarino bate contra o peito do outro’.  E essas duas formas se originam da mesma raiz banta que deu origem ao quimbundo, ‘ di-semba’, umbigada – um elemento coreográfico fundamental no samba primitivo”.
Representação do Maxixe
Foto: Internet

Portanto, tivemos uma mistura simultânea do partido alto com o samba rural nos subúrbios e o maxixe urbano ganhou letra e assim se espalhando pela cidade. Mas, o marco “oficial” do nascimento do samba foi após a publicação da canção “Pelo Telefone” em 1917, conhecido como samba- maxixado.
Roda de Samba
Foto: Internet

Mediante a essa breve história do surgimento do samba, podemos observar como culturas podem influenciar na formação e caracterização de uma sociedade. Em um outro texto, brevemente, continuarei a falar um pouco mais sobre esse ritmo.
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quarta-feira, 16 de maio de 2018

AS TRADIÇÕES POPULARES DE USO DAS PLANTAS MEDICINAIS NOS DIAS DE HOJE




Pitanga
Foto:Internet
Assim como a região do Rio de Janeiro teve influência das tradições africanas, a região da Amazônia teve primordialmente dos indígenas que podem ser observadas a partir de registros das histórias dos habitantes da região. As particularidades ambientais impactaram de maneira direta os saberes, costumes e práticas dos habitantes desse território.

É a partir da oralidade que podemos perceber as definições próprias que essas pessoas têm de saúde e doença e suas próprias receitas de medicamentos que são feitas à base de matrizes naturais de flora, fauna e minérios. Além disso, aspectos religiosos também estão presentes nas tradições dessa população. Esses indivíduos possuem um grande conhecimento destas práticas de terapia popular e quase todas residências tem plantações de plantas medicinais e que na falta de alguma erva é de costume pegar emprestado de algum vizinho, quando não, a planta cresce de forma natural nas florestas.

Na Amazônia a Igreja Católica contribuiu para a disseminação do conhecimento popular terapêutico, mesmo que antes por parte desta houvesse algum tipo de desconfiança, a partir do ano de 1990, houve uma criação de farmácias de manipulação de plantas medicinais que eram ligadas a igreja e estavam situadas nas regiões municipais, tais como: Barcelos e Santa Isabel e isso fez com que esse conhecimento popular começasse a ganhar um caráter científico.

Com esse breve contexto apresentado no capítulo sobre as tradições populares da Amazônia, podemos perceber que as influencias populares dos século XVIII XIX se estendeu por todo o território brasileiro e não somente na Corte. Mas, os aspectos que estão presentes nos discursos dos amazonenses e das população dos períodos coloniais e imperiais se fazem presentes também na sociedade popular do Município de Petrópolis (RJ). Assim como na Amazônia esses aspectos são percebidos a partir da oralidade, passados de geração em geração e teve influência religiosa e da Igreja Católica.
Arruda
Foto:Internet

Essa influência católica é percebida a partir da entrevista feita com a Irmã Gabriela, uma religiosa da congregação das irmãs de Santa Catarina de Alexandria que trabalhou na oficina de ervas do Colégio Santa Catarina na cidade de Petrópolis, onde funciona também uma pequena farmácia com os medicamentos que foram feitos na própria oficina e com as plantas que foram colhidas na horta do colégio.

 No início de sua carreira foi direcionada para a área de enfermagem, onde se formou em enfermagem na cidade de São Paulo e atuou na área hospitalar durante aproximadamente quarenta anos e concomitantemente também como missionária religiosa nas pastorais da igreja. De acordo com a Irmã Gabriela nas pastorais há uma grande sensibilização com as necessidades humanas, tanto a nível religioso, quanto a nível de saúde e uma busca de melhorar a qualidade de vida e saúde das pessoas.

Teve muitas oportunidades, pois se formou também em administração hospitalar e nomeada para administrar dois hospitais da congregação, pois onde morava tinha técnico e auxiliar de enfermagem e por isso que fez pós-graduação em pedagogia para poder lecionar no curso de enfermagem.

Diz que trabalhou como parteira na Bahia, mas antes de se mudar morava em Teresópolis onde era responsável por toda a enfermagem que ela chama de “casa”, principalmente do centro cirúrgico, berçário, maternidade. Na Bahia, foi como substituta de uma irmã que estava regressando aos estudos. Durante seu trabalho no estado Baiano, enfatiza que teve muitos problemas nos posto de saúde onde atuou, pois as condições eram precárias. Por conta dessa precariedade as pessoas não confiavam nos hospitais e quando tinham de ir, por exemplo em uma ambulância, o paciente, mesmo sendo mulher grávida se escondiam, pois achavam quando a pessoa estava indo para o hospital era porque ia morrer. 

Descreve como se dava os trabalhos das parteiras na Baia, que na região eram chamadas de “pega menino” e fica sendo “mãe de pegação do neném que ajudou a nascer. Quando a criança morria, por exemplo do mal de sétimo dia (tétano umbilical), era batizada como “mané”, porque não nasceu para viver.  Por canta de muitas crianças morrerem, porque as vacinas e a higienização não eram levadas à sério Irmã Gabriela resolveu dar um curso para ajudar as parteiras a entender um pouco dos procedimentos de cuidados que se deve ter com as crianças recém-nascidas, mas houve resistência das “pega menino”, por conta das tradições que já havia entre elas.
Boldo
foto:Internet

Já sobre as plantas, menciona sobre sua formação em fitoterapia na cidade de Lins – SP e sobre a experiência que vivenciou, no Instituto Paulista de Promoção Humana que era coordenada pelo padre Augusto e foi nesse instituto que teve uma experiência de dez dias de tratamento, pois é o período mínimo para uma terapia natural dar resultado. E depois do curso, acabou se integrando na equipe, onde teve oportunidade de registrar a horta que estavam fazendo, de conhecer as plantas. A irmã Gabriela enfatiza que as plantas mudam muito de uma região para outra, por exemplo, plantas que ela conheceu em São Paulo não tem a mesma espécie em Petrópolis. Conta que utilizava as plantas no curso para fazer cataplasma, chás, banhos, tais como: banho de vapor, de assento, conforme a necessidade do caso.

Na cidade de Petrópolis funcionava uma instituição chamada ASBANTO e que estavam oferecendo um curso de fitoterapia no primeiro semestre, onde ela também cursou. Foi nesse momento que conheceu Ari (conhecido como Ari Raizeiro) que foi o motivador do movimento fitoterápico que realizavam. Depois do curso, começou a trabalhar na oficina de ervas do colégio Santa Catarina. Além de fitoterapia, irmã Gabriela estou diversas terapias alternativas, como por exemplo, radiestesia, estudo dos chacra entre outras e todas relacionas com as plantas.

Essa entrevista da irmã foram selecionados trechos relevantes que falam um pouco da trajetória de formação e trabalho que teve, pois são aspectos que mostram um pouco a influência da Igreja católica na disseminação do conhecimento popular e aos mesmo tempo como pessoas relacionadas à área da saúde e tratamento tradicionais estão ligadas à esse conhecimento dando a ele um caráter mais científico e isso também ocorreu no século XIX com a criação dos manuais de medicina do Dr. Chernoviz.

Não somente a influência Católica é percebida nos discursos dos petropolitanos, mas também aquelas que estão relacionadas diretamente com a cultura africana, como religião e as crenças no sobrenatural. Essas características podemos perceber na pesquisas feitas com o senhor Jamil e a senhora Eliane

 Senhor Jamil que nasceu em Minas Gerais no ano de 1964, quando criança ia muito para as matas da região de sua cidade, chamada mata da onça, local onde morreu 150 escravos na mina da cata branca. Quando se mudou para Petrópolis em 1979, começou a frequentar barracão (Candomblé) dando início ao seu aprendizado sobre as plantas, através dos antigos que eram descentes de escravos.

Porém, especificamente aprendeu sobre as plantas medicinais e as ervas usadas nos barracões para banhos, para cura com o tio Gramé (um senhor da região que era conhecido por esse nome). Além de ter aprendido sobre as plantas, diz que também aprendeu muito sobre a História da cidade de Petrópolis, como por exemplo, sobre a Fazenda do Córrego Secco – sede que deu origem a cidade- e a fazenda Samambaia que pertencia ao Visconde de Mauá. De acordo com o senhor Jamil a Fazenda Samambaia era a única que tinha plantações de café.

Ao falar da relação das plantas e do barracão de Candommblé, Jamil diz que os santos que “chegavam”, ou seja incorporavam pediam determinadas plantas e então as pessoas que frequentavam a casa saíam para buscar. Explica sobre um emplasto ensinado pelas entidades feito de hortelã do moto, picão, azeite doce e folha de fumo para colocar na ferida, pois puxa toda a inflamação, por ser planta fria e não deixa espalhar. Além disso, colhia folhas para gripe, diabetes, entre outras.

Hortelã
Foto: Internet
Fala a respeito da pitanga que “corta a febre por dentro”, mas tem de ser tomada de maneira correta, ou seja fazer o chá na quantidade certa e além disso, tem de ser colhida em uma determinada hora, mais especificamente entre às 07h e 08h, ou entre às 18h e às 19h, pois segundo o entrevistado é o horário que a planta faz efeito. Explica sobre as folhas da laranja da terra que é utilizada em forma de chá que para limpezas de catarro e a arnica utilizada para dores no corpo colocando no álcool fazendo compressa e em forma de chá juntamente com a pitanga e a laranja da terra em quantidades certas que se torna um anti-inflamatório e afirma ser mais eficaz que um remédio alopata. Já a pitanga com a folha da goiaba branca serve para curar diarreia. 

Ao dizer sobre seu pai que mesmo sendo raizeiro não passou muito conhecimento e afirma que muitas coisas sobre as plantas aprendeu com os índios quando esteve na região do Amazonas, no ano de 1982. Diz que passou a infância pertos das matas e com isso aprendeu a entrar e sair e que nunca uma cobra o picou, pois existe maneiras de se entrar na mata, pois ao contrário a própria natureza proporciona situações para assustar. De acordo com o senhor Jamil existe um espírito na mata que falava com ele ensinando-o sobre algumas ervas e cipós, como por exemplo, cipó caboclo.

Folhas da Laranja da terra
Foto: Internet
Afirma que há necessidade pedir licença nos barracões às entidades para entrar na mata e que no meio do mato pode-se achar muitas coisas, mas há uma necessidade te ser um conhecimento para não que haja problemas. Segundo o entrevistado o conhecimento de sua namorada sobre as plantas provém de um Orixá que a passou para que assim pudesse fazer perfumes de pétalas de rosas sem álcool. Senhor Jamil enfatiza que os remédios à base de plantas que são mais eficazes que os remédios alopatas por não conterem químicos e afirma que os conhecimentos são assados somente aqueles que merecem, principalmente sobre as plantas

Durante a conversa fala muito a respeito da História de Petrópolis e sua relação com os negros e diz que foram os escravos que trouxeram o conhecimento das plantas para a cidade de Petrópolis e que as plantas são um símbolo dos negros dentro dos barracões. Explica sobre os banhos de descarrego e sobre a arruda que é usada para lavar as vistas e dar banho em crianças recém-nascidas contra mau-olhado.

Doença para o senhor Jamil é algo o maligno e afirma que não existe doença incurável, mas existe algo maligno que está presente na doença que pode ser curado e qye esse algo maligno está relacionado à outras vidas das pessoas e que são as raízes destas, ou seja Karma e além disso a doença vem a ser algo hereditário que é passado por gerações, como da doença vermelha (câncer). Diz que as plantas podem tirar esse mal, mas é necessário fazer uma oração antes de utilizar o remédio, pois é necessário que haja uma permissão dos espíritos para que a planta seja utilizada. E para o senhor Jamil a saúde é um privilégio e um dom dado para aquele que pode usufruir.

A senhora Eliane nasceu na cidade de Petrópolis ia com frequência à igreja e em rezadores quando criança. É descendente de índios, pois seu pai e sua avó eram indígenas. Diz que tomava medicamentos receitados pelos remédios que os médicos passavam e dava alergia e por conta disso parou de tomar remédios alopatas e vacinas e passou a se tratar com medicamentos à base de plantas.

Ao falar sobre as plantas cita as plantações de boldo, carurumijão(utilizado para feridas), mestruz (utilizados para vermes) que sua mãe tinha em casa e sobre a pitanga e a arnica que  utilizava contra febre e resfriado. De acordo com a entrevista é necessário pedir licença para colher as plantas senão a planta não faz o efeito e enfatiza que os remédios de plantas são mais eficazes que os alopatas.
Mestruz
Foto: Internet

 Menciona em sua entrevista a respeito do uma oração feita no centro espírita que frequentava que ajudou a curar um problema que estava nos olhos e afirma que se não fosse por essa oração hoje não estaria enxergando. E assim como o senhor Jamil, a senhora Eliane enfatiza que a doença está relacionada a algo que a pessoa fez no passado, em outras vidas (carma) e vem como forma de proteção para que que os erros não sejam repetidos nessa vida e diz que não pode ser interferido esse aprendizado que a pessoa está passando, pois é uma necessidade que ela precisa passar. E a respeito da cura diz que pode ser adquirida através de orações e

De acordo com a entrevistada, ela diz que toma os chás e banhos a base de plantas de maneira intuitiva ao conversar com a planta e afirma que vai em rezadores até dos dias de hoje e que nunca tomou remédio para evitar a gravidez, pois é necessário que a natureza siga seu fluxo.

Ao falar sobre os médicos diz que estes não conhecem o corpo do ser humano, por conta disso não conseguem curar ninguém e que quando as pessoas que ficam nos hospitais sem ter necessidade acabam ficando mais doentes e fala que vai somente aos médicos para saber o diagnóstico, mas não toma os medicamentos receitados pelos eles e que e as plantas curarem por ser de sua natureza, pois estão na Terra para curar as doenças, mas o ser humano que não sabe lidar com elas e que  efeito das plantas está relacionado à maneira da colheita e a forma de secagem. Afirma que é necessário ter dom de mexer com plantas, nem todos podem manuseá-las, pois tem pessoas que tem “mal olhado”, são pessoas ruins que só de olhar a planta ela já morre.

A senhora Eliane fala sobre a necessidade das pessoas terem interesse em conhecer as plantas, pois senão não fazem efeito e que é necessário também ter fé, pois com a fé até um copo de água pode curar.

Podemos perceber a partir desses três trechos dessas entrevistas feitas através dos trabalhos realizados pela FIOCRUZ no Município de Petrópolis que aspectos presentes dentro da sociedade dos séculos XVIII e XIX ainda se fazem presentes nos dias de hoje. Portanto, a história está sempre em movimento, pois que o que acontece em um passado que mesmo sendo considerado distante, ainda sim influência os dias de hoje




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quinta-feira, 10 de maio de 2018

AS FRONTEIRAS ENTRE A MEDICINA POPULAR E A MEDICINA CIENTÍFICA: DISPERSÃO E UNIDADE




 Os manuais médicos do Dr. Chernoviz foi uma maneira da medicina científica ter uma conhecimento mais aprofundado sobre as práticas de cura, de disseminação do conhecimento popular e de auxiliar aos leigos que não tinham acesso aos médicos no tratamento mais emergenciais de maneira autônoma e no melhoramento das condições de vida através de uma conscientização de higiene. Mas, as fronteiras entre as terapias populares de cura e a medicina acadêmica existiram somente nos primeiros séculos do Brasil. Além disso, havia aspectos entre a medicina e a magia, que para muitas pessoas dos séculos XVIII ao XX, acreditavam ter relação entre ambas, o que fez com que tivessem sido influenciadas na escolha pela terapia popular, por acreditarem que a doença estava atrelada à magia.

A ideia do governo de tentar legalizar as práticas populares estava sob uma ótica de diminuí-las, mas essa tentativa não foi eficaz e logo os curandeiros poderiam realizar seus trabalhos com objetivo de adquirir o reconhecimento de arte de cura oficial. Nos períodos de 1808 a 1855 houve uma legalização das práticas de cura que se preocupou em distinguir os profissionais, reconhecendo alguns saberes e excluindo outros.

A Fisicatura-mor era uma das instituições que cuidavam da legalização das práticas populares de cura. Essa legalização acontecia através de cartas de referências que as instituições concediam aos terapeutas populares, onde demonstrava o aprendizado de ofício ou de conhecimentos empíricos e assim permitiam que os barbeiros-sangradores, cirurgiões-barbeiros, boticários, parteiras, dentistas práticos e curandeiros ingressarem no mundo das práticas oficiais de curar. Nesse mesmo período de atuação da Fisicatura-mor ocorreu um processo legal que foi lentamente elaborando campos diferentes de atuação, em termos oficiais, para os diversos tipos de curadores.

Em 1832 os regulamentos que substituíram a legislação da Fisicatura-mor, alteraram a legalidade dos ofícios dos praticantes da cura popular, pois foi a partir desse período, os únicos que continuaram sendo reconhecidos como ofícios legais foram os médicos, os cirurgiões, os boticários e as parteiras, que somente poderiam atuar dentro das indicações e das determinações dos praticantes da medicina oficial.

Durante o período imperial do Brasil existiam diversidades e hierarquias entre os curadores e entre a dinâmica que estes tinham em prol das pessoas. Um fator que levou a hierarquização entre esses terapeutas, foi desvalorização dos trabalhos manuais que permaneceu durante o século XIX.  A relação entre o sangue como sendo a parte “suja” do corpo, foi uma questão que inferiorizou as atividades dos barbeiros e cirurgiões, enquanto os médicos valorizavam as artes liberais, por estas possuírem pouco trabalho manual.  O ofício de parteira era considerado uma arte de curar, pois dentro da sociedade era necessário certo tipo de pudor para o cuidado com a saúde das mulheres, logo homens não poderiam tratá-las. Mesmo as mulheres pobres recebiam um cuidado especial com o seu corpo.
O uso das plantas medicinais também foi uma forma predominante nos oitocentos do Brasil. Mas, ao tratar de plantas como medicamentos é necessário se atentar às questões relacionadas às práticas empíricas e do cotidiano das pessoas de forma coletivas, pois em um maior contexto de uma determinada sociedade haverá outras tradições diferentes que objetivam a cura da doença dos homens. A forma como ocorreu a difusão entre a terapia popular e a medicina científica começou a partir da chegada dos europeus na terra do “Novo Mundo”, onde as variedades dos tratamentos populares encontrados na nova terra pelos europeus contribuíram para a medicina trazida por eles. Assim como a medicina convencional europeia sofreu transformações, as práticas de cura popular também sofreram, porque as receitas de uso das plantas medicinais herdadas pelos populares desde Idade Média, foi paulatinamente ganhando forma de remédios.

A valorização no Brasil da medicina popular se deu, a partir de uma iniciativa de unir as técnicas fitoterápicas da medicina tradicional e populares para assistir aos problemas existentes de acesso a remédios pela população pobre, isso ocorreu com a criação da Coordenação Nacional de Fitoterapia em Serviço Público e projetos sobre as plantas medicinais.  

No século XIX muitos autores abordaram um estudo sobre as plantas com a finalidade terapêutica, nesse período havia poucos médicos no Brasil Imperial, fator que tornava os manuais de medicina popular principal instrumento que relacionava a medicina convencional com a medicina científica. No Brasil Imperial, esses manuais de cunho popular não eram escritos por uma oposição entre duas medicinais, acadêmica e popular, mas pelas pessoas consumidoras desses manuais, entre eles se encontravam os boticários, fazendeiro, mães de famílias, ou seja, pessoas que eram leigas, mas que praticavam arte popular de cura, enfim, toda uma gama de população. O século XIX marca a relação entre o saber da medicina científica e da medicina popular, onde a ciência faz um aprimoramento do uso das plantas medicinais pertencente ao universo da terapia popular.

Os manuais criados de medicina popular e as farmacopéias[1] sofreram modificações, ou seja, foram incorporadas na cultura científica, pois foram classificadas e normalizadas para os consumidores de uma determinada rede social, apesar de sempre nesses manuais haver suas matrizes originais da cultura popular. Para obter uma melhor compreensão das práticas populares é necessário apontar os elementos que estão inseridos na cultura popular, como por exemplo, as práticas, os rituais, os conceitos de saúde e de doença, entre outros e de que maneiras esses elementos estão relacionados com a medicina tradicional.



[1] Fármacopeia brasileira é o compêndio que define as especificidades para o controle de qualidade de medicamentos e insumos para a saúde.

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segunda-feira, 30 de abril de 2018

OS MANUAIS DE MEDICINA POPULAR DO DR. CHERNOVIZ NA SOCIEDADE IMPERIAL



Por conta desses ideias populares sobre a saúde e a doença e a resistência por parte das pessoas às vacinas, a medicina científica encontrou alguns problemas de aceitação por parte dos mais humildes, que muitas vezes preferiram os tratamentos através das práticas populares, e uma maneira de conseguir a aceitação das pessoas foi a de utilizar desse conhecimento popular elaborando manuais de uso de plantas medicinais, tanto focados para os médicos e boticários quanto para os próprios populares.

A princípio acreditava-se no Brasil que as terapias populares de cura do período colonial não iriam influenciar à medicina científica durante o século XIX, já que pouco se sabiam sobre os conhecimento popular. Entretanto, a medicina já estava sendo influenciada pelas culturas indígenas e africanas desde a colônia, tendo uma participação ativa dos profissionais com formação na academia, mas as práticas do século XVIII eram primordialmente realizadas pelos terapeutas populares, como por exemplo, feiticeiros, curandeiros, raizeiros, entre outros.

Com a implantação das faculdades de medicina no Império houve uma melhora significativa nos ensinos de médicos, principalmente em cirurgias, mas acabou ocorrendo um afastamento entre a medicina popular e científica. Logo, uma medida adotada em 1832 pelo governo imperial, foi transformar as precárias escolas de cirurgia instaladas no Rio de Janeiro e em Salvador em faculdades de medicina popular que compreenderam uma profunda mudança, pois na sociedade imperial ainda retinham muitos aspectos do período Colonial e por conta disso, existiu uma necessidade de se fazer mudança no âmbito acadêmico da medicina. Entretanto, para os idealizadores, as faculdade de medicina deveriam assumir a árdua tarefa, de sumir com os padrões advindos do período colonial, ou seja, promover uma aculturação da medicina local, para que as novas tendências da medicina europeia se tornassem o principal meio de tratamento.  

Como já citado, as práticas populares de cura eram utilizadas desde a colônia e as plantas foi uma das práticas terapêuticas mais recorrentes entre as tradições médicas, as diversificadas espécies da flora tropical brasileira estimulava a busca de novos medicamentos, entre eles os que pudessem servir de antídoto para veneno de plantas e peçonha de animais, mas como muitas das vezes esse conhecimento era oriundo do universo popular, muitos médicos exigiam uma comprovação científica para tais procedimentos, logo os manuais de medicina elaborados pelo  Dr. Chernoviz foi primordial para que houvesse mais credibilidade por parte dos médicos e boticários sobre o uso das plantas medicinas, pois neles continham vários procedimentos e propriedades da flora como medicamento. Além disso, Dr. Chernoviz criou um dicionário de medicamentos que continha uma linguagem mais acessível aos leigos, oferecendo-lhes a chance de adquirir a “instrução mínima” necessária para enfrentar com algum sucesso as emergências médicas do cotidiano. O dicionário também trazia conhecimentos básicos sobre higiene.


Dr. Chernoviz, veio para Brasil no século XIX, se formou em 1837 na França, em Montpellier, onde conheceu alguns colegas brasileiros. No ano de 1840, acabou se mudando para o Rio de Janeiro, local que permaneceu até 1855. Com o tempo em que viveu na Corte, pode conhecer os costumes, tais como, o de leitura. Tomou conhecimento também das obras médicas traduzidas e de como essa profissão estava organizada e institucionalizada na cidade, com isso foi possível que construísse uma trajetória de médico e de empresário editorial na cidade do Rio de Janeiro. Filiou-se como membro titular à Academia Imperial de Medicina em dezembro de 1840. Essa instituição representava a elite médica Corte e tinha por atividades a pesquisa e a consultoria sobre higiene, que os médicos brasileiros já tinham algum conhecimento.

No período em que esteve no Brasil, o Dr. Chernoviz escreveu uma série de Formulários ou Guias Médicos e Dicionários Médicos que tinham como objetivo auxiliar aos médicos, boticários e curandeiros da época para a fabricação de remédios à base de plantas e também para ajudar as pessoas da classe pobre e rurais que não tinham condições de se consultar com os poucos médicos que imigraram para o Brasil.

O Formulário ou Guia Médico era dividido em várias seções contendo a descrição dos medicamentos, suas propriedades, suas doses e contra as moléstias deveria ser usado. Além disso, descriminava as plantas medicinais indígenas, e as águas minerais do Brasil, a arte de formular, a escolha das melhores fórmulas, além de muitas receitas úteis nas artes e na economia doméstica. Todos os medicamentos de que o FGM tratava, dividiam-se em dezesseis classes, cada uma com uma propriedade médica particular e as substâncias em que se encontravam.


Apresentavam de forma pedagógica algumas considerações sobre a arte de formular, os doentes também podiam dispor das receitas. Estas últimas eram preparadas de acordo com as fórmulas de cada médico, segundo as necessidades específicas do paciente. Eram elaborados em porções, por cozimentos, colírios, pílulas emulsões, linimentos, cataplasmas. Apresentavam de forma pedagógica algumas considerações sobre a arte de formular.

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quinta-feira, 26 de abril de 2018

A SAÚDE PÚBLICA NA SOCIEDADE DO RIO DE JANEIRO DE 1850



Negros praticando a arte de cura popular
Foto: Internet
A saúde no Brasil durante o século XIX é marcada pelas divergências de ideias que existiam entre as classes mais pobres e os médicos. Foi um século que teve muita influência do período colonial que era caracterizado pelas diferentes culturas dos europeus, indígenas e africanos, pois havia diferenças na forma de tratar as doenças pela medicina científica e as práticas tradicionais populares de cura, mas por conta da precariedade da medicina científica e o altos custos dos tratamentos, a população mais pobre acabava optando pelos recursos populares para a cura de seus males. Outra característica do século XVIII que se estendeu até o século XIX foi a influência que a natureza do Novo Mundo conquistado teve sobre o conhecimento científico português e com isso esse conhecimento acabou mesclando-se ao dos nativos e dos negros africanos.  

Já no período oitocentista as enfermidades surgidas estavam relacionadas com as políticas de dominação portuguesa, por isso os negros escravos, livres e libertos começaram a se tornar os principais alvos para justificar o surgimento das doenças e também eram considerados os causadores da desordem na sociedade, com isso o governo acabou tomando medidas de controle social e moradias. Os higienistas começaram a tentar vacinar à população contra as doenças, entretanto as pessoas tiveram uma resistência, o que acabou gerando a conhecida “Revolta da Vacina”.

Revolta da Vacina
Foto:Internet
Essa revolta se deu também, por conta do conceito sobrenatural de saúde e doença que começou existir, principalmente depois do aparecimento da febre amarela, entre a população, pois para essas pessoas a cura deveria ser provida somente através da evocação de São Benedito, porque era o santo que teria poder de curar ou evitar a moléstia causadas pelo vômito preto (nome pelo qual a febre amarela ficou conhecida entre os populares).  Assim, as pessoas o evocavam em rituais religiosos para anular feitiços de bruxarias, curar os doentes e resolver os conflitos que ocorria nas comunidades.  Os mais humildes começaram a associar a moléstia da febre amarela como sendo um castigo de Deus, devido aos pecados, relacionados aos vícios como, as festas, bailes durante o período em que as doenças assolavam a cidade do Rio de Janeiro.

Além dos libertos e livres, os escravos também associavam a doenças ao sobrenatural, como os feitiços que eram feitos por feiticeiros, que manipulavam o universo. Principalmente quando se tratava de mau-olhado que era considerado nocivo, especialmente para as crianças, pois despertava muitos problemas, como angústia podendo provocar a morte do inocente. Contra esse mal os remédios utilizados eram os amuletos e as benzenduras, logo essas enfermidades não poderiam ser tratadas por médicos. Além disso, de acordo com a crença dos negros, as doenças poderiam ser adquiridas devido aos erros cometidos em rituais religiosos ou também pelo descumprimento de deveres com os deuses e por isso, a cura, se dava através dos próprios rituais, onde invocavam seus antepassados pedindo auxílio das forças espirituais para a realização da cura. Essas questões sobre o conceito de saúde e doença que existia entre os populares do Rio de Janeiro, podem ser percebidas nos relatos do viajantes que passaram pela Corte.

Esses primeiros textos são um pouco sobre o contexto histórico social do Brasil no século XIX, pois com esse contexto vamos percebendo que esses ideais ainda se fazem presentes nos dias de hoje. O próximo texto falarei um pouco sobre os manuais de medicina populares do Dr. Chernoviz, criados para auxiliar as pessoas da época no tratamento das doenças com remédios a base de plantas medicinais.





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terça-feira, 17 de abril de 2018

CONHECENDO UM POUCO A HISTÓRIA DA SAÚDE


A História da Saúde é um campo muito interessante e que muitas pessoas talvez desconheçam. Eu mesmo quando iniciei na faculdade de História não imaginava que essa área pudesse ser um campo tão vasto e que nos proporciona uma gama de conhecimento sobre a formação social e os ideias disseminada dentre as pessoas.

É um campo que nos ajuda a perceber que muitos aspectos culturais de outras etnias estão presentes nos dias de hoje e acrescentaram para a formação cultural de nossa sociedade. Por conta disso, resolvi trazer uma série de textos baseados nas minhas pesquisas de monografia sobre o diálogo das tradições populares de cura e a medicina tradicional, o conceito de saúde e doença e as tradições de uso das plantas medicinais que são ideias presentes até os dias de hoje e isso será percebido nos discursos de pessoas que pude ter contanto quando estive como bolsista de uma pesquisa sobre as tradições de uso das plantas medicinais no município de Petrópolis pela FIOCRUZ (Fundação Oswaldo Cruz).

Dentro destes textos, pretendo trazer um pouco visões de autores que debruçaram suas pesquisas a entender aspectos que faziam com que a população desenvolvesse uma resistência pelos tratamentos disponibilizados pelos médicos, fator que acabou gerando a conhecida "Revolta da Vacina".  As práticas de cura desenvolvidas pelas pessoas, pois mesmo que existem médicos na Corte Imperial, ainda sim eram  insuficientes. Quero trazer também questões relacionadas as tradições africanas de crença que influenciaram muito no Brasil, mas não entrarei em aspectos religiosos, mas nesses textos focarei mais nas superstições e "crendices" que tinham. Além disso, quero falar um pouco sobre como a medicina tradicional se utilizou desses conhecimentos populares para criação de manuais e dicionários que traziam conteúdos de remédios a base de plantas, o que ajudou muito aos profissionais da área da saúde e até mesmo à população em seus tratamentos.

Com a pesquisa da FIOCRUZ, gostaria de tentar mostrar através do discurso das pessoas como essas tradições presentes no século XVIII e XIX  estão presentes nos dias de hoje. E com isso demonstrar que a História não é um campo que só estuda o passado, mas demonstra que o passado pode influenciar o presente através dos processos históricos.

Essas pesquisas foram muito enriquecedoras para mim e me ajudaram a entender como uma planta que para muitas pessoas podem ser apenas uma planta, mas para outras tem um poder de cura e são sagradas. Me fez olhar a natureza com outros olhos e a respeitá-la como uma grande fonte de cura para males. E gostaria muito de compartilhar esses conhecimentos com todos aqueles que curtem o blog e com aqueles que poderão vir a curtir.

No primeiro texto, falarei um pouco sobre o contexto histórico da saúde e doença no Brasil do século XIX e as questões que levaram a "Revolta da  vacina". Além de falar dos manuais de medicina popular trazidos pelos Dr. Chernoviz.
Espero que gostem!

segunda-feira, 2 de abril de 2018

PETRÓPOLIS E A MÚSICA



A música está presente constantemente em nossas vidas, seja para fazer uma caminhada, malhar, dançar, relaxar, festejar, entre outros aspectos. Além disso, ela traz em sim uma importante fonte tanto para educação como marcar cultural de um povo.
Por conta desses aspectos, resolvemos falar um pouco da música na cidade de Petrópolis. Toda a influência europeia que recebeu pela vinda dos colonos.
D. Pedro I  também era músico
Foto: Internet

Vamos então, iniciar traçando um pouco da História da música no Brasil, fazendo um link com o ano de fundação da cidade de Petrópolis em 1843, que foi o período no país, ainda Império, conhecido nas artes como Romantismo Brasileiro. Quando houve a estabilização política, pode-se também intensificar a vida cultural. A música erudita brasileira deste período foi influenciada pelo Romantismo europeu, através de artistas como: pintores, escritores, dramaturgos e os músicos.

A música teve um forte marco na educação da família real, seja na apreciação de D. João VI ou nas composições de D. Pedro I, tais como: uma Abertura, um Credo, o Hino da Carta, o Hino da Independência e o Hino da Maçonaria do Brasil. Seus instrumentos principais eram a clarineta, o fagote e o violoncelo, o que nos leva a imaginar as belas paisagens da Fazenda do Padre Correa inspirando-o a tocar belas sinfonias. Já Pedro II teve uma proveitosa atividade inclusive na educação musical desde que tomou posse como Imperador em 1841.


Música em Petrópolis:

Na cidade de Petrópolis a educação musical começou a fazer parte da vida das pessoas com a chegada das 600 famílias de colonos alemães no ano de 1845.
Vale ressaltar que Petrópolis tem na música uma de suas manifestações artísticas e culturais mais expressiva desde o século XIX. No início as bandas alemães, os coros nas igrejas, o cantar despreocupado da população e conjuntos musicais vindo de todo o Brasil. Propondo-nos imaginar as melodias cantadas pelos colonos ao longo dos trabalhos nas hortas e pomares dos diversos quarteirões.

As festas eram um costume muito comum entre os alemães, há relatos de haver em todas elas um sanfoneiro que tocava vários tipos de músicas nesses eventos, tais como: Polka, Mazurcas, Valsas e algumas músicas de motivos germânicos. Além das cantigas da época de seus locais de origem.

Escola de Música Santa Cecília
Foto: Internet
O primeiro músico que veio a aparecer na colônia de Petrópolis foi o senhor Gustavo Eckardt, natural de Hesse (um Estado da região central da Alemanha), que era um competente afinador de pianos. Organizou um conjunto musical que mais tarde transformou-se em uma banda. Após sua saída , assume o regente José Schaefer e banda denominou-se “Banda Schaefer”.
No ano de 1847 no governo sob o comando do Dr. José Maria da Silva Paranhos, que vinha a ser o futuro Visconde do Rio Branco, assinou uma lei que determinava a criação de uma escola de música na qual, se ensinasse de forma gratuita os meninos colonos e aos brasileiros, a prática dos instrumentos e o cantar.
Na cidade a primeira escola de música que veio a surgir foi a Escola de Música Santa Cecília, fundada pelo Maestro Paulo Carneiro em 1893 (de onde alguns alunos se destacaram pela execução das obras de Mozart).

Orquestra Anima e Coure- Concha acústica Museu Imperia
Foto: Vicktor Correa
Hoje Petrópolis conta com alguns cursos e professores particulares de música, escolas de Música tais como: Escola de Música do Santa Cecília, Escola de Música da UCP, a Escola de Música Fábrika de Sons e o Centro de Artes Suzuki. As orquestras: Orquestra de Câmara da UCP, Conjunto Anima
e Cuore, Orquestra do Palácio Itaboraí (FIOCRUZ de Petrópolis) e Orquestra do Centro de Artes Suzuki. Diversos corais como: Cant Vox, Coral Laos Deo, Princesas de Petrópolis  entre  muitos outros, ao ponto de termos periodicamente os concertos “Coral das Mil Vozes” aonde se reúnem muitos coros da cidade num belíssimo concerto.
Orquestra Petrobrás - Teatro D. Pedro
Foto: Vicktor Correa
Ocorre na cidade muitos eventos relacionados à música: apresentação dos corais na Igrejas, Concertos do Órgão da Catedral, Concertos na Sala da Batalha e na Concha Acústica no Museu Imperial, Feira Deguste (feira de cervejas artesanais que apresenta as bandas locais) e Solstício do Som (festival para bandas independentes). Há também os eventos que são um marco cultural na cidade como a Bauernfest, festa do colono alemão que traz tradições típicas da cultura germânica, comida, bebida e, claro a dança e a música, a Serra Serata (festa da Itália), que assim como a Bauernfest, traz também cultura tradicional dos colonos italianos e o Bunka Sai, festival dos colonos japoneses.


Serra Serata: Grupo de dança Rheinland Pfalz

Canto Gregoriano - Catedral
Foto: Vicktor Correa 
Bauernfest - Grupo Rheinland Pfalz
Foto: Vicktor Correa