Por
conta desses ideias populares sobre a saúde e a doença e a resistência por
parte das pessoas às vacinas, a medicina científica encontrou alguns problemas
de aceitação por parte dos mais humildes, que muitas vezes preferiram os
tratamentos através das práticas populares, e uma maneira de conseguir a aceitação
das pessoas foi a de utilizar desse conhecimento popular elaborando manuais de
uso de plantas medicinais, tanto focados para os médicos e boticários quanto
para os próprios populares.
A
princípio acreditava-se no Brasil que as terapias populares de cura do período
colonial não iriam influenciar à medicina científica durante o século XIX, já
que pouco se sabiam sobre os conhecimento popular. Entretanto, a medicina já
estava sendo influenciada pelas culturas indígenas e africanas desde a colônia,
tendo uma participação ativa dos profissionais com formação na academia, mas as
práticas do século XVIII eram primordialmente realizadas pelos terapeutas
populares, como por exemplo, feiticeiros, curandeiros, raizeiros, entre outros.
Com
a implantação das faculdades de medicina no Império houve uma melhora
significativa nos ensinos de médicos, principalmente em cirurgias, mas acabou
ocorrendo um afastamento entre a medicina popular e científica. Logo, uma
medida adotada em 1832 pelo governo imperial, foi transformar as precárias
escolas de cirurgia instaladas no Rio de Janeiro e em Salvador em faculdades de
medicina popular que compreenderam uma profunda mudança, pois na sociedade
imperial ainda retinham muitos aspectos do período Colonial e por conta disso, existiu
uma necessidade de se fazer mudança no âmbito acadêmico da medicina.
Entretanto, para os idealizadores, as faculdade de medicina deveriam assumir a
árdua tarefa, de sumir com os padrões advindos do período colonial, ou seja,
promover uma aculturação da medicina local, para que as novas tendências da
medicina europeia se tornassem o principal meio de tratamento.
Como
já citado, as práticas populares de cura eram utilizadas desde a colônia e as
plantas foi uma das práticas terapêuticas mais recorrentes entre as tradições
médicas, as diversificadas espécies da flora tropical brasileira estimulava a
busca de novos medicamentos, entre eles os que pudessem servir de antídoto para
veneno de plantas e peçonha de animais, mas como muitas das vezes esse
conhecimento era oriundo do universo popular, muitos médicos exigiam uma
comprovação científica para tais procedimentos, logo os manuais de medicina
elaborados pelo Dr. Chernoviz foi
primordial para que houvesse mais credibilidade por parte dos médicos e
boticários sobre o uso das plantas medicinas, pois neles continham vários
procedimentos e propriedades da flora como medicamento. Além disso, Dr.
Chernoviz criou um dicionário de medicamentos que continha uma linguagem mais
acessível aos leigos, oferecendo-lhes a chance de adquirir a “instrução mínima”
necessária para enfrentar com algum sucesso as emergências médicas do
cotidiano. O dicionário também trazia conhecimentos básicos sobre higiene.
Dr.
Chernoviz, veio para Brasil no século XIX, se formou em 1837 na França, em
Montpellier, onde conheceu alguns colegas brasileiros. No ano de 1840, acabou
se mudando para o Rio de Janeiro, local que permaneceu até 1855. Com o tempo em
que viveu na Corte, pode conhecer os costumes, tais como, o de leitura. Tomou
conhecimento também das obras médicas traduzidas e de como essa profissão
estava organizada e institucionalizada na cidade, com isso foi possível que
construísse uma trajetória de médico e de empresário editorial na cidade do Rio
de Janeiro. Filiou-se como membro titular à Academia Imperial de Medicina em
dezembro de 1840. Essa instituição representava a elite médica Corte e tinha
por atividades a pesquisa e a consultoria sobre higiene, que os médicos
brasileiros já tinham algum conhecimento.
No período em que
esteve no Brasil, o Dr. Chernoviz escreveu uma série de Formulários ou Guias
Médicos e Dicionários Médicos que tinham como objetivo auxiliar aos médicos,
boticários e curandeiros da época para a fabricação de remédios à base de plantas
e também para ajudar as pessoas da classe pobre e rurais que não tinham
condições de se consultar com os poucos médicos que imigraram para o Brasil.
O Formulário ou Guia
Médico era dividido em várias seções contendo a descrição dos medicamentos,
suas propriedades, suas doses e contra as moléstias deveria ser usado. Além
disso, descriminava as plantas medicinais indígenas, e as águas minerais do
Brasil, a arte de formular, a escolha das melhores fórmulas, além de muitas
receitas úteis nas artes e na economia doméstica. Todos os medicamentos de que
o FGM tratava, dividiam-se em dezesseis classes, cada uma com uma propriedade
médica particular e as substâncias em que se encontravam.
Apresentavam de forma
pedagógica algumas considerações sobre a arte de formular, os doentes também
podiam dispor das receitas. Estas últimas eram preparadas de acordo com as
fórmulas de cada médico, segundo as necessidades específicas do paciente. Eram
elaborados em porções, por cozimentos, colírios, pílulas emulsões, linimentos,
cataplasmas. Apresentavam de forma pedagógica algumas considerações sobre a
arte de formular.


Nenhum comentário:
Postar um comentário