quinta-feira, 26 de abril de 2018

A SAÚDE PÚBLICA NA SOCIEDADE DO RIO DE JANEIRO DE 1850



Negros praticando a arte de cura popular
Foto: Internet
A saúde no Brasil durante o século XIX é marcada pelas divergências de ideias que existiam entre as classes mais pobres e os médicos. Foi um século que teve muita influência do período colonial que era caracterizado pelas diferentes culturas dos europeus, indígenas e africanos, pois havia diferenças na forma de tratar as doenças pela medicina científica e as práticas tradicionais populares de cura, mas por conta da precariedade da medicina científica e o altos custos dos tratamentos, a população mais pobre acabava optando pelos recursos populares para a cura de seus males. Outra característica do século XVIII que se estendeu até o século XIX foi a influência que a natureza do Novo Mundo conquistado teve sobre o conhecimento científico português e com isso esse conhecimento acabou mesclando-se ao dos nativos e dos negros africanos.  

Já no período oitocentista as enfermidades surgidas estavam relacionadas com as políticas de dominação portuguesa, por isso os negros escravos, livres e libertos começaram a se tornar os principais alvos para justificar o surgimento das doenças e também eram considerados os causadores da desordem na sociedade, com isso o governo acabou tomando medidas de controle social e moradias. Os higienistas começaram a tentar vacinar à população contra as doenças, entretanto as pessoas tiveram uma resistência, o que acabou gerando a conhecida “Revolta da Vacina”.

Revolta da Vacina
Foto:Internet
Essa revolta se deu também, por conta do conceito sobrenatural de saúde e doença que começou existir, principalmente depois do aparecimento da febre amarela, entre a população, pois para essas pessoas a cura deveria ser provida somente através da evocação de São Benedito, porque era o santo que teria poder de curar ou evitar a moléstia causadas pelo vômito preto (nome pelo qual a febre amarela ficou conhecida entre os populares).  Assim, as pessoas o evocavam em rituais religiosos para anular feitiços de bruxarias, curar os doentes e resolver os conflitos que ocorria nas comunidades.  Os mais humildes começaram a associar a moléstia da febre amarela como sendo um castigo de Deus, devido aos pecados, relacionados aos vícios como, as festas, bailes durante o período em que as doenças assolavam a cidade do Rio de Janeiro.

Além dos libertos e livres, os escravos também associavam a doenças ao sobrenatural, como os feitiços que eram feitos por feiticeiros, que manipulavam o universo. Principalmente quando se tratava de mau-olhado que era considerado nocivo, especialmente para as crianças, pois despertava muitos problemas, como angústia podendo provocar a morte do inocente. Contra esse mal os remédios utilizados eram os amuletos e as benzenduras, logo essas enfermidades não poderiam ser tratadas por médicos. Além disso, de acordo com a crença dos negros, as doenças poderiam ser adquiridas devido aos erros cometidos em rituais religiosos ou também pelo descumprimento de deveres com os deuses e por isso, a cura, se dava através dos próprios rituais, onde invocavam seus antepassados pedindo auxílio das forças espirituais para a realização da cura. Essas questões sobre o conceito de saúde e doença que existia entre os populares do Rio de Janeiro, podem ser percebidas nos relatos do viajantes que passaram pela Corte.

Esses primeiros textos são um pouco sobre o contexto histórico social do Brasil no século XIX, pois com esse contexto vamos percebendo que esses ideais ainda se fazem presentes nos dias de hoje. O próximo texto falarei um pouco sobre os manuais de medicina populares do Dr. Chernoviz, criados para auxiliar as pessoas da época no tratamento das doenças com remédios a base de plantas medicinais.





GeraLinks - Agregador de links

Nenhum comentário:

Postar um comentário