Todos nós, ou pelo menos a
maioria conhecemos as simpatias, os chás, as rezas que muitas vezes nossas
avós, nossas mães faziam ou nos levava em uma rezadeira. Pois bem, essa
tradição popular se faz presente no país desde o período colonial, principalmente
depois da chegada dos africanos.
Durante o período colonial e
imperial, o Brasil sofria com a falta de médicos e de tratamento que atendesse à
população, entretanto esse não foi um fator primordial para que as pessoas
dessem preferência ao tratamento com os curandeiros e outros praticantes das
práticas terapêuticas populares, pois na Corte oitocentista no ideal popular a
ideia de doença e cura estavam ligadas as questões sobrenaturais. Para as
pessoas, os males eram causados muitas vezes por conta de uma feitiçaria ou por
mau-olhado, sendo esse último considerado extremamente nocivo, principalmente para
as crianças e tinha por consequência despertar angustias e que podia levar ao
inocente à morte e contra o mau-olhado o remédio era o uso de amuletos,
benzenduras e isso nos faz perceber que a cura não estava relacionada aos
médicos.
Os africanos utilizavam também do
auxílio das forças espirituais de acordo como eram feitas em suas tradições
aprendidas com os seus antepassados. Pois, para eles a cura estava atribuída àqueles
que podiam se comunicar com os espíritos ancestrais.
É importante ressaltar que os
senhores mantinham um contato muito próximo com seus escravizados e com isso o
intercâmbio cultural ocorria com frequência entre eles e o que fez com que
muitas vezes os médicos se tornassem muitas vezes idispensáveis, pois os próprios
africanos acabam por praticar a arte de cura com os seus senhores.
Com isso, pode-se ressaltar que o
período colonial foi um pontapé inicial para a troca cultural entre os
indígenas, africanos e europeus o que se estendeu até o período imperial. E
além disso, percebemos a influência da cultura africana, suas crenças em nosso
cotidiano até os dias de hoje.

