quinta-feira, 18 de janeiro de 2018

O sobrenatural no imaginário popular do século XIX



Todos nós, ou pelo menos a maioria conhecemos as simpatias, os chás, as rezas que muitas vezes nossas avós, nossas mães faziam ou nos levava em uma rezadeira. Pois bem, essa tradição popular se faz presente no país desde o período colonial, principalmente depois da chegada dos africanos.


Durante o período colonial e imperial, o Brasil sofria com a falta de médicos e de tratamento que atendesse à população, entretanto esse não foi um fator primordial para que as pessoas dessem preferência ao tratamento com os curandeiros e outros praticantes das práticas terapêuticas populares, pois na Corte oitocentista no ideal popular a ideia de doença e cura estavam ligadas as questões sobrenaturais. Para as pessoas, os males eram causados muitas vezes por conta de uma feitiçaria ou por mau-olhado, sendo esse último considerado extremamente nocivo, principalmente para as crianças e tinha por consequência despertar angustias e que podia levar ao inocente à morte e contra o mau-olhado o remédio era o uso de amuletos, benzenduras e isso nos faz perceber que a cura não estava relacionada aos médicos.


Os africanos utilizavam também do auxílio das forças espirituais de acordo como eram feitas em suas tradições aprendidas com os seus antepassados. Pois, para eles a cura estava atribuída àqueles que podiam se comunicar com os espíritos ancestrais.
É importante ressaltar que os senhores mantinham um contato muito próximo com seus escravizados e com isso o intercâmbio cultural ocorria com frequência entre eles e o que fez com que muitas vezes os médicos se tornassem muitas vezes idispensáveis, pois os próprios africanos acabam por praticar a arte de cura com os seus senhores.


Com isso, pode-se ressaltar que o período colonial foi um pontapé inicial para a troca cultural entre os indígenas, africanos e europeus o que se estendeu até o período imperial. E além disso, percebemos a influência da cultura africana, suas crenças em nosso cotidiano até os dias de hoje.




quinta-feira, 11 de janeiro de 2018

Saúde, Negro e História



Bem, sabemos que as condições de insalubridade na qual viviam os africanos no Brasil foi um fator predominante para o aparecimento das doenças e isso pode ser percebido nos de registros de óbitos, pois nos permite ter um panorama da sociedade brasileira, quando fazemos uma análise desses óbitos e levantamos aspectos como: causa morte, idade, nacionalidade, idade, sexo do falecido entre outros fatores.

Porém, não podemos deixar de mencionar que esses escravizados tiveram relação com a cura de doenças, pois muitas vezes através de suas terapias populares ajudaram no tratamento da população no período colonial, que se estendeu até o século XIX e que essas tradições de cura são percebidas até os dias de hoje, por exemplo, quando avós, mães levam seus filhos à uma rezadeira ou quando elas mesmas praticam as rezas utilizando um galho de alguma planta.
Os senhores também muitas vezes procuravam por esses terapeutas populares, como os curandeiros, feiticeiros, boticários ou sangradores para o tratamento de males e usam também o conhecimento dos seus escravizados para seu próprio tratamento, por exemplo, curas, benzenduras, uso das plantas medicinais e esse foi uma fator que acabava levando esses cativos a uma “ascensão” social e um reconhecimento social.


Não podemos negar que a escravidão foi um cenário na História do Brasil que deixou muitas marcas de tristeza e que essas pessoas foram tratadas como mercadoria e de forma desumana. Mas, mediante a esse pequeno texto, começamos a perceber que esse cenário pode deixar suas marcas positivas.
 São pessoas que estiveram em condição de escravos, por isso os menciono como escravizados, mas que carregaram uma bagagem de conhecimento que os permitiram trabalhar em prol de si e dos outros. E essas práticas terapêuticas permanecem até os dias de hoje em nossa sociedade.


Em meio aos meus estudos, acabei me debruçando um pouco nos registros de óbitos de negros e me interessei bastante. Por conta disso, comecei uma pesquisa na cidade de Petrópolis (Rio de Janeiro) e fotografei alguns óbitos que foram registrados na Diocese da cidade (Catedral). Por uma questão de curiosidade, colocarei uma foto óbitos, para que tenham uma ideia de como eram feitos esses registros e de como pode se ter uma ideia da sociedade a partir das leituras e colhimento das informações.   Não há somente nesses livros registros de negros livres, libertos ou escravos, mas também de europeus (Petrópolis é uma cidade que teve colônia europeia, como alemã, italiana, portuguesa e holandesa).  
Foto registro de óbito: Diocese de Petrópolis
Catedral São Pedro de Alcântara  

Transcrição óbito que fala sobre o escravo: "Aos cinco dias do mês de março de mil oitocentos e setenta e seis , na dita freguesia faleceu de velhice a preta Felícia , de nação Benguela, com oitenta e anos , escrava de Henrique Kopke. Foi por mim, no dia seguinte , encomendada no cemitério antes do corpo ser entregue  à sepultura..."  

sábado, 6 de janeiro de 2018

Negros e o Sistema de Saúde Século XIX



Foto Internet
Como já mencionado, sabemos que as condições de transporte e de trabalho que os negros africanos foram submetidos foram uma grande fator para as questões de saúde e doença deles. Porém, como apresenta Ângela Porto, pesquisadora da Casa de Oswaldo Cruz, em seu texto “Sistema de saúde dos escravos no século XIX”, há muitos fatores que na História que são um mito e que acabam por atrapalhar a compreensão desse período no Brasil, tais como, ter havido total negligência por parte dos senhores para com os cuidados com a saúde de seus escravizados e que esses africanos não teriam conhecimento e nem capacidade de ter cuidados com sua própria saúde.

E o que demonstra a existência desses mitos é o sincretismo que é a marca da cultura do Brasil que foi construído devido as várias contribuições das diversas etnias que aqui vieram. Podemos perceber também contribuições dos africanos nas práticas de cura.

Ângela em seu texto, apresenta três autores que se debruçaram a escrever com o apoio do Estado, tais como, os manuais de Jean- Baptiste Imbert (1834), Carlos Augusto Taunay (1839) e Antônio Caetano da Fonseca (1863), essas obras tinham por conteúdo conselhos higiênicos que eram dirigidos aos proprietários dos escravos, mas especificamente sobre a saúde dos cativos.

Além desses pontos, com relação à vida desses africanos na Corte Imperial durante o século XIX pode-se observar durante a leitura de “memórias e relatos de viajantes estrangeiros” que os senhores que viviam mais distantes nas suas fazendas, acabavam abrindo mão de recursos locais para os casos mais graves das doenças. Porém, por outro lado, os curandeiros, feiticeiros, quimbandeiros eram chamados para assistir aos doenças quando não havia os médicos. Mas, a falta de médicos não foi um fator determinante para que esses terapeutas populares fossem chamados, porque a ideia de doença como sendo originada por questões sobrenaturais se fazia muito presente no meio da população, além do uso de amuletos para proteção contra doenças e infortúnios.
Foto Internet

Mediante a essas questões, não se pode cair em esquecimento o papel que os negros desempenharam utilizando dos seus próprios recursos para o tratamento de doenças. Muitos foram os autores que propuseram em abordar essas questões como, Chalhoub, Figueiredo, Pimenta, Sampaio e Witter.  
As práticas terapêuticas de cura utilizadas pelos africanos muitas vezes se mostraram mais eficientes do que a medicina tradicional perante a população da Corte e por mais que os brancos achassem que os esses negros fossem charlartões, muitas vezes também procuravam tratamento com os terapeutas populares.

Logo, no decorrer da leitura desse texto, podemos começar a perceber que os africanos tiveram um papel importante, mesmo que indiretamente na formação cultural do Brasil e que essas práticas de cura e crenças no sobrenatural também se fazem presentes nos dias de hoje.

Na próxima postagem falarei um pouco sobre a relação dos negros com a História da Saúde utilizando o texto de Carolina Bitencourt como texto base.


segunda-feira, 1 de janeiro de 2018

Novos Campos de Abordagens


A escravidão é um marco na História do Brasil e de muitos países .Todos nós já temos, nem que seja um pouco, do conhecimento sobre esse longo período que marcou a História. Aprendemos na escola ou até mesmo em livros ou por outros meios que essas pessoas, foram capturadas e trazidas às terras do chamado Novo Mundo em condições deploráveis, dentro de porões de navios e que assim estiveram à mercê de doenças, já que não possuíam uma alimentação adequada, água, um local para fazerem suas necessidades fisiológicas entre outros aspectos. Sem mencionar o fato de muitos nem terem conseguido chegar ao destino, pois morriam durante a viagem ou quando chegaram se depararam com um trabalho que eram submetidos aos maus tratos.

Entretanto, não são esses aspectos que gostaria de enfatizar, pois esses navios e essas terras não estão marcadas somente pelo lado ruim desse momento histórico, pois dentro desses navios, os africanos trouxeram com eles uma riqueza que jamais imaginaram que ajudaria na formação de aspectos sociais de uma país. Essa riqueza que menciono é a cultura desses povos, que vindos de diversas partes da África e chegando aqui se juntaram e foram de tamanha importância para a formação cultural dos países que estiveram e principalmente do Brasil.

Além disso, vale ressaltar que as marcas culturais deixadas pelos africanos e outros povos que aqui no Brasil já habitavam, como os índios, são percebidas até os dias de hoje. Logo, são esses aspectos positivos que gostaria de enfatizar durante os textos que escrever, principalmente sobre as práticas de cura utilizadas por esses povos africanos, que muitas vezes os ajudaram a curar os males da alma e do corpo físico.

Tenho como objetivo, “apresentar” esses povos não só como marcamos pela escravidão, mas como sendo pessoas que possuíam uma cultura carregada em conhecimento que tivemos a felicidade de compartilhar até hoje, seja através dos livros ou de seus descendentes.

Para escrever esses textos, me debruçarei em diversos autores que se dedicaram a estudar a respeito desses povos e suas práticas de cura, além de tentar me utilizar de meios como a entrevista com alguns habitantes de quilombos ou até mesmo em Centros de Umbanda que possam auxiliar em obter mais conhecimento sobre a cultura deixada por esses povos.