![]() |
| Foto Internet |
Como já
mencionado, sabemos que as condições de transporte e de trabalho que os negros
africanos foram submetidos foram uma grande fator para as questões de saúde e
doença deles. Porém, como apresenta Ângela Porto, pesquisadora da Casa de
Oswaldo Cruz, em seu texto “Sistema de saúde dos escravos no século XIX”, há
muitos fatores que na História que são um mito e que acabam por atrapalhar a
compreensão desse período no Brasil, tais como, ter havido total negligência
por parte dos senhores para com os cuidados com a saúde de seus escravizados e
que esses africanos não teriam conhecimento e nem capacidade de ter cuidados
com sua própria saúde.
E o que
demonstra a existência desses mitos é o sincretismo que é a marca da cultura do
Brasil que foi construído devido as várias contribuições das diversas etnias
que aqui vieram. Podemos perceber também contribuições dos africanos nas
práticas de cura.
Ângela em
seu texto, apresenta três autores que se debruçaram a escrever com o apoio do
Estado, tais como, os manuais de Jean- Baptiste Imbert (1834), Carlos Augusto
Taunay (1839) e Antônio Caetano da Fonseca (1863), essas obras tinham por
conteúdo conselhos higiênicos que eram dirigidos aos proprietários dos
escravos, mas especificamente sobre a saúde dos cativos.
Além
desses pontos, com relação à vida desses africanos na Corte Imperial durante o
século XIX pode-se observar durante a leitura de “memórias e relatos de
viajantes estrangeiros” que os senhores que viviam mais distantes nas suas
fazendas, acabavam abrindo mão de recursos locais para os casos mais graves das
doenças. Porém, por outro lado, os curandeiros, feiticeiros, quimbandeiros eram
chamados para assistir aos doenças quando não havia os médicos. Mas, a falta de
médicos não foi um fator determinante para que esses terapeutas populares
fossem chamados, porque a ideia de doença como sendo originada por questões
sobrenaturais se fazia muito presente no meio da população, além do uso de
amuletos para proteção contra doenças e infortúnios.
![]() |
| Foto Internet |
Mediante
a essas questões, não se pode cair em esquecimento o papel que os negros
desempenharam utilizando dos seus próprios recursos para o tratamento de
doenças. Muitos foram os autores que propuseram em abordar essas questões como,
Chalhoub, Figueiredo, Pimenta, Sampaio e Witter.
As
práticas terapêuticas de cura utilizadas pelos africanos muitas vezes se
mostraram mais eficientes do que a medicina tradicional perante a população da
Corte e por mais que os brancos achassem que os esses negros fossem
charlartões, muitas vezes também procuravam tratamento com os terapeutas
populares.
Logo,
no decorrer da leitura desse texto, podemos começar a perceber que os africanos
tiveram um papel importante, mesmo que indiretamente na formação cultural do
Brasil e que essas práticas de cura e crenças no sobrenatural também se fazem
presentes nos dias de hoje.
Na
próxima postagem falarei um pouco sobre a relação dos negros com a História da
Saúde utilizando o texto de Carolina Bitencourt como texto base.


Nenhum comentário:
Postar um comentário