sábado, 6 de janeiro de 2018

Negros e o Sistema de Saúde Século XIX



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Como já mencionado, sabemos que as condições de transporte e de trabalho que os negros africanos foram submetidos foram uma grande fator para as questões de saúde e doença deles. Porém, como apresenta Ângela Porto, pesquisadora da Casa de Oswaldo Cruz, em seu texto “Sistema de saúde dos escravos no século XIX”, há muitos fatores que na História que são um mito e que acabam por atrapalhar a compreensão desse período no Brasil, tais como, ter havido total negligência por parte dos senhores para com os cuidados com a saúde de seus escravizados e que esses africanos não teriam conhecimento e nem capacidade de ter cuidados com sua própria saúde.

E o que demonstra a existência desses mitos é o sincretismo que é a marca da cultura do Brasil que foi construído devido as várias contribuições das diversas etnias que aqui vieram. Podemos perceber também contribuições dos africanos nas práticas de cura.

Ângela em seu texto, apresenta três autores que se debruçaram a escrever com o apoio do Estado, tais como, os manuais de Jean- Baptiste Imbert (1834), Carlos Augusto Taunay (1839) e Antônio Caetano da Fonseca (1863), essas obras tinham por conteúdo conselhos higiênicos que eram dirigidos aos proprietários dos escravos, mas especificamente sobre a saúde dos cativos.

Além desses pontos, com relação à vida desses africanos na Corte Imperial durante o século XIX pode-se observar durante a leitura de “memórias e relatos de viajantes estrangeiros” que os senhores que viviam mais distantes nas suas fazendas, acabavam abrindo mão de recursos locais para os casos mais graves das doenças. Porém, por outro lado, os curandeiros, feiticeiros, quimbandeiros eram chamados para assistir aos doenças quando não havia os médicos. Mas, a falta de médicos não foi um fator determinante para que esses terapeutas populares fossem chamados, porque a ideia de doença como sendo originada por questões sobrenaturais se fazia muito presente no meio da população, além do uso de amuletos para proteção contra doenças e infortúnios.
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Mediante a essas questões, não se pode cair em esquecimento o papel que os negros desempenharam utilizando dos seus próprios recursos para o tratamento de doenças. Muitos foram os autores que propuseram em abordar essas questões como, Chalhoub, Figueiredo, Pimenta, Sampaio e Witter.  
As práticas terapêuticas de cura utilizadas pelos africanos muitas vezes se mostraram mais eficientes do que a medicina tradicional perante a população da Corte e por mais que os brancos achassem que os esses negros fossem charlartões, muitas vezes também procuravam tratamento com os terapeutas populares.

Logo, no decorrer da leitura desse texto, podemos começar a perceber que os africanos tiveram um papel importante, mesmo que indiretamente na formação cultural do Brasil e que essas práticas de cura e crenças no sobrenatural também se fazem presentes nos dias de hoje.

Na próxima postagem falarei um pouco sobre a relação dos negros com a História da Saúde utilizando o texto de Carolina Bitencourt como texto base.


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