A música é uma importante fonte histórica, pois quando estudamos a história que envolve uma composição, um ritmo, um artista, podemos traçar aspectos da sociedade em que nasceu. Por conta disso, nesse texto trago um pouco da história do samba, esse ritmo que se tornou uma característica de nossa sociedade brasileira. Para início de conversa, vamos falar um pouco sobre a gênese desse ritmo.
No Brasil, no final do século XIX as cidades já tinham ideia abolicionistas, porém nos campos era diferente, pois ainda dependiam do trabalho escravo. Com a “fronteira do café” vindo para o Vale do Parnaíba os escravos nordestinos (de maioria baiana) foram trazidos para o sul da Província do Rio de Janeiro, e estes se instalaram na zona portuária no ano de 1870. A cidade ficou conhecida como a “Pequena África”, pois foi o local de encontro entre as duas culturas de escravos urbanos e rurais.
Observamos que toda zona portuária de um país é um local onde se concentra a malandragem, desempregados, segregados e casa de tolerância. Por tanto temos três fatores para o rápido crescimento da população carioca. 1) negros vindos do Nordeste por causa do fracasso de lá; 2) Guerra do Paraguai onde era prometido terras e liberdade a quem ingressasse; 3) A chegada dos imigrantes para “embranquecer” o país.
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| Representação do Maxixe Foto : Internet |
Esses negros que chegaram no Rio começaram a liderar o calendário festivo (cordões carnavalescos e festas religiosas entre outros). Em especial os negros baianos trouxeram o “maxixe” que era restrito à zona portuária por ser considerado proibido para menores de idade. Nesse momento era uma dança onde eram tocados os ritmos polka, tango brasileiro e Habanera.
Após a criação da Lei Áurea havia desemprego entre os os negros e isso era uma questão muito agravante. Uma alternativa de trabalho encontrada por eles foi a execução dos maxixes nos cabarés, já que a cidadania era negada através da negação do emprego. Na parte do urbana do Rio era tocado o maxixe, já no subúrbio e partes rurais era tocado o "Partido Alto".
Até o século XX o Brasil era multicultural e seccionado. Aos poucos a dança maxixe começou a modificar a música e junto a isso surgiu uma contestação sobre se havia ou não o estilo maxixe. Pois era uma manifestação urbana aonde se tocava polka com habanera e mais uma mistura regional. Porém, nos primeiros anos do século XX começou a ser cantado recebendo o nome de samba. Mas, como surgiu esse nome samba?
O samba não existiria se antes não tivessem existido o maxixe, o lundú e as múltiplas formas de samba folclórico, praticadas nas rodas de batuque. O compositor e historiador Nei Lopes no ensaio “Uma breve história do Samba” diz: “O vocábulo samba é africaníssimo. ‘Samba’ entre os quiocos (chokwe) de Angola, é verbo que significa ‘cabriolar brincar, divertir-se como cabrito’. Entre os bacongos, angolanos e congueses o termo designa ‘uma espécie de dança em que um dançarino bate contra o peito do outro’. E essas duas formas se originam da mesma raiz banta que deu origem ao quimbundo, ‘ di-semba’, umbigada – um elemento coreográfico fundamental no samba primitivo”.
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| Representação do Maxixe Foto: Internet |
Portanto, tivemos uma mistura simultânea do partido alto com o samba rural nos subúrbios e o maxixe urbano ganhou letra e assim se espalhando pela cidade. Mas, o marco “oficial” do nascimento do samba foi após a publicação da canção “Pelo Telefone” em 1917, conhecido como samba- maxixado.
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| Roda de Samba Foto: Internet |
Mediante a essa breve história do surgimento do samba, podemos observar como culturas podem influenciar na formação e caracterização de uma sociedade. Em um outro texto, brevemente, continuarei a falar um pouco mais sobre esse ritmo.



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