terça-feira, 23 de maio de 2017

Negros em Petrópolis no período Imperial



Foto Internet

Não são muitos os registros da vida do negros africanos em Petrópolis, apesar de ter havido um clube de comércio, localizado na esquina da Rua D. Januária, atualmente a rua Marechal Deodoro, possuía atividades bastante diferentes e uma delas eram os serviços de locação,compra e venda de escravizados. Muitas dessas pessoas negras que vieram para a cidade, trabalhavam em serviços domésticos, eram libertados ou livres, haja vista que ao projetar a construção de Petrópolis,  Julio Frederico Koeller priorizou a mão-de-obra livre de imigrantes europeus, principalmente alemães.

Entretendo os registros que existem  estão nos livros de sepultura do primeiro cemitério da cidade de 1885, que traz as principais nacionalidades de africanos que habitaram Petrópolis, tais como,Angola, Moçambique e Congo. Nesses livros, também se encontram seus nomes, as datas do falecimento, causa da morte, número da sepultura e a idade. Os principais jornais da época, como o Mercantil e o Parayba, que retratavam o cotidiano da sociedade petropolitana, também traziam anúncios de fugitivos,cozinheiras, jardineiros,engomadeira, amas de leites, dentre outros.

Anúncio do Jornal "Parayba" Biblioteca Municipal de Petrópolis
Umas das curiosidades que os jornais traziam eram as figuras populares, cada uma com sua história triste, engraçada, como o caso do João Moçambique que andava pelas ruas sempre murmurando dizendo  “eu  vou embora, vou mesmo”. E estava sempre carregando uma lata  com a qual pegava comida tanto nas dependências do palácio imperial quanto em casa de famílias petropolitanas. Além disso, passeava às margens do rio cantando músicas de sua terra e fazendo a lata de tambor. João veio a Falecer no dia 26 de abril de 1894 aos 62 anos.

As informações sobre os negros podem ser encontradas nos registros de batizado que se pode ser feito uma análise sobre a religião e a moralidade dos escravizados pertencentes aos senhores. Outra forma que se pode pesquisar sobre os negros, são nos registros de testamento dos fazendeiros, que trazem elementos de seus escravos e assim os caracteriza na sociedade de Petrópolis e nestes testamentos também podiam constar alforrias. Outros caminhos que podem ser percorridos para estudar os negros são nos relatos de viajantes.

 Eles também participaram inicialmente como mão-de-obra na construção do palácio de Veraneio, atualmente o Museu Imperial da cidade, posteriormente essa mão-de-obra foi substituida pela livre de imigrantes. Além da obra do palácio imperial, eles também contribuíram com a mão-de-obra em outras construções, uma delas é da Igreja Nossa Senhora do Rosário, que a história está publicada no blog.


Fonte: Arquivo biblioteca Municipal de Petrópolis

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